3 de abr de 2011

Cemitério da Santa Casa. Um museu a céu aberto

Dia 23 de março de 2011 foi aniversário de Porto Alegre – 239 anos – aproveitei para fazer uma visita á um dos lugares mais lindos da cidade, o Cemitério da Santa Casa de Misericórdia.
O local reúne belas esculturas em bronze, mármore, ferro e pedra; algumas foram assinadas por escultores conhecidos. Está localizado no bairro Azenha e é administrado pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Fundado em abril de 1850, possui cerca de quarenta mil jazigos.
Não é a primeira vez que faço esse passeio e espero que não tenha sido a última e nem que a próxima seja a derradeira.
Abaixo segue um pouco da história e curiosidades do local e alguns registros fotográficos .

História

O Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, é o mais antigo em atividade no Sul do Brasil, conserva em seus 10,4 hectares muito da história da Capital gaúcha e do próprio Rio Grande do Sul. Atrás de seus muros, mais de um século e meio de história está representada, através da arte esculpida em mármore, bronze, ferro e pedra, nas sepulturas e mausoléus ali reunidos. Atravessar os portões que guardam esse patrimônio da cidade e caminhar por suas alamedas é iniciar uma viagem ao passado.
No Brasil Colonial, as vilas se estruturavam com uma capela em seu centro e, ao lado ou nos fundos desta, ficava o cemitério. Na Vila de Porto Alegre, a necrópole existente localizava-se atrás da antiga Igreja Matriz e Capela do Divino Espírito Santo, que deu lugar à Cúria Metropolitana, hoje na Rua Fernando Machado.


Igreja Matriz

Durante a ocupação de Porto Alegre pelos farroupilhas, entre 1835 e 1836, a média anual de enterros aumentou substantivamente, causada também por um surto de escarlatina. Logo, a área destinada aos sepultamentos tornou-se inadequada. O terreno acidentado, de acentuado declive, não permitia mais acolher os enterros, por problemas ocasionados pela chuva e consequente erosão do solo.
Em 1834, já havia uma comissão sanitária, formada por médicos e nomeada pela Câmara Municipal, para debater o problema da necrópole. Mas foi em 1843, após o poder público municipal ter autorizado a mudança do cemitério para uma localidade afastada – extramuros –, que o Presidente da Província, Luis Alves de Lima e Silva, tomou a iniciativa de adquirir, em 6 de agosto de 1844, um amplo terreno. Situado longe do Centro, no alto da Colina da Azenha, a sua administração ficou a cargo da Irmandade da Santa Casa de Porto Alegre.


Terreno na Azenha

A abertura do Cemitério
A abertura do cemitério foi projetada para agosto de 1850. Entretanto, com a epidemia de febre amarela que se difundia pela Vila, era urgente realizar os enterros na nova necrópole. Assim, em 6 de abril daquele ano, ocorreu o primeiro sepultamento no Alto da Azenha. Foi aprovado, ainda, pela Câmara Municipal o impedimento de efetuar enterros em outro lugar. Desta forma, José Domingues, um marinheiro português que chegou a Porto Alegre, foi o primeiro livre sepultado no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia e Eva, a primeira escrava ali acolhida, em 12 de abril de 1850.
Até 1884, este foi o procedimento: os livres eram sepultados no interior do Cemitério e os escravos, fora de seus muros. No mesmo ano, com a abolição da escravatura em Porto Alegre, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, todos os falecidos da Capital gaúcha passaram a ser enterrados na parte interna da necrópole.
Em 1880, o Cemitério da Santa Casa contava com mais de 30 mil sepultamentos, sendo 6.723 de escravos e 23.577 de livres. No ano seguinte, iniciou-se a construção do atual muro para delimitar a área no alto da Colina da Azenha. Os surtos de cólera, tuberculose, febre tifóide, moléstias intestinais e afecções cardíacas determinaram o aumento dos índices de ocupação da necrópole que, em 1893, já contabilizava 50 mil mortos, forçando a ampliação do terreno. Em 1907, o espaço contava com 36,9 mil m² dos 104 mil m² atuais.
O Cemitério da Santa Casa centralizou, por muitos anos, os sepultamentos dos mortos da cidade, inclusive os dos irmãos de São Miguel e Almas e de Santa Bárbara, os da Sociedade Alemã e da Beneficência Portuguesa, que adquiriram para suas irmandades quadros dentro da necrópole. A Irmandade São Miguel e Almas, ao comprar a sua propriedade, e a Irmandade Santa Bárbara, ao se extinguir, destinaram seus quadros à Santa Casa. A partir de 1945, as Irmandades receberam duas galerias de catacumbas intituladas com seus nomes, como forma de homenagem.
O deslocamento até a colina era feito por tração animal, motivo de queixas constantes devido ao péssimo estado das estradas, além do aclive da Azenha, que chegou a dificultar as obras do Cemitério. Em 1880, a Companhia Carris começou a conduzir os coches fúnebres, que ficavam abrigados nos campos da Redenção. Segundo os Relatórios da Santa Casa, a partir de 1889, diversas irmandades passaram a se encarregar dos translados até a região.
Em 1926, a Santa Casa adquiriu carros fúnebres para remoção de adultos, virgens e crianças, além de um veículo para o transporte de coroas. Outros também prestavam este serviço, como um caminhão com quatro lugares para indigentes, apelidado pelos populares de “Maria Crioula”. Na década de 1960, esses automóveis foram desativados.


Carro Fúnebre

O Cemitério da Santa Casa foi, por muito tempo, o único de Porto Alegre a realizar o enterro do pobre no seu Campo Santo. A partir de 1934, a Instituição passou a contar com a parceria da União Pelotense São Francisco de Paula, fundada por um grupo de mulheres da sociedade pelotense radicadas em Porto Alegre. A associação filantrópica, conhecida como “Enterro do Pobre”, encarregava-se do fornecimento de caixões para os necessitados.


Campo Santo ao fundo.

Campo Santo: Centenas de cruzes fincadas sobre sepulturas rasas.

A necrópole da Santa Casa acolheu a expansão urbana da Capital gaúcha durante o século XIX. Porém, no decorrer do século XX, a população de Porto Alegre cresceu vertiginosamente, propiciando o surgimento de outros cemitérios na cidade. Atualmente, o Cemitério da Santa Casa expressa, através da arte cemiterial, as transformações sociais, econômicas, políticas e culturais ocorridas ao longo do tempo na história do Estado.

Arte tumular ou arte funerária

É um termo usado para designar obras feitas para permanecerem em cima das sepulturas nos cemitériosigrejas. É uma forma de representação que está ligada à cosmovisão de determinado contexto histórico, ideológico, social e econômico, interpretando a vida e a morte. Essa interpretação pode ser feita através de um conjunto de símbolos ou de uma obra narrativa, utilizando-se materiais variados como o mármore, o granito, o ferro fundido e o bronze. A arte tumular atingiu seu apogeu nos séculos XVIIIXIX, sendo hoje menos utilizada em virtude do avanço do cemitério-jardim.
Jazigo: pequena edificação nos cemitérios, destinada ao sepultamento de várias pessoas ou da família.
Mausoléu: em alusão ao túmulo que Artemisa, viúva de Mausolo, rei da Cária, antiga cidade da Ásia Menor, mandou erguer ao marido. Sepulcro de Mausolo (rei da Cária – século IV a.C. em Halicarnasso, tido como uma das sete maravilhas do mundo antigo). Sepulcro suntuoso.

Simbologia

No caso dos símbolos, a representação remete a um significado diferente do objeto construído e colocado no túmulo. Assim entende-se o símbolo não como o objeto concreto, e sim, como o significado que este pode trazer.

Alegorias

“São possuidoras de um caráter que ultrapassa o simples sentido das estátuas, as alegorias representam ideia abstratas, fazendo alusão a política, à religião, à moral e à sociedade. São figuras humanas personificadas, acompanhadas de símbolos. Com este conjunto(estátuas-símbolos) tem-se um apresentação concreta de uma representação mental.”
por: Daniel Meirelles Leite

SOFRIMENTO E CONSOLAÇÃO
Grupo escultórico representando alegóricamente o sofrimento e a consolação.




As Flores podem estar associadas ao renascimento ou a virgindade femininae assim está  ligada a Virgem Maria.
A Coroa de Flores transmite a ideia de salvação alcançada.


A Pranteadora e o Ramo de Palma.


O Ramo de  Palma tem o significado geralmente de vitória e alegria. Na concepção cristã está associado a vida eterna.
Uma  Tocha com Fogo remete à purificação da alma após a morte, ou seja, um símbolo de purificação.





A Cruz :um dos principais símbolos do cristianismo.Nela está contida o sentimento de fé e a crença da ressurreição de Cristo.


Cruz e flores

Símbolos: cruz, a pomba e o fogo


A pomba: pode representar a reconciliação com Deus, com alusão ao relato bíblico  da história de Noé ou pode representar o  Espírito Santo também relacionada a outra passagem bíblica o batismo de Cristo e assim representaria a alma no estado celestial.


A Justiça
Alegoria da Justiça
Justiça  dos homens ou divina

A Justiça é geralmente representada pela balança, podendo aparecer também a espadas e a venda nos olhos. No túmulo de Plácido de Castro (ao lado), representa a justiça dos homens, pois vem com barras de ouro dentro da balança e a espada empurrando-a para baixo. Em outras palavras se teria pago a justiça para que os assassino de Plácido de Castro permanecessem em liberdade. É a Justiça Corrupta.
Plácido de Castro era militar e morreu assassinado em uma emboscada na luta contra os bolivianos no Acre.
(Por: Daniel Meirelles Leite)
Ainda faz parte deste túmulo a  alegoria do leão apunhalado nas costas, mais um símbolo da traição.


O Leão apunhalado - traição


Alegoria da Oração representada por um anjo ou criança com as mão unidas . Possivelmente a oração é pela alma.









Oração de criança





Alegoria da Caridade representada por uma figura feminina  com uma criança ao colo.
Traduzindo o sentido de amor maternal pelo  próximo, inimigo ou por boas ações.


Pietá: A escultura de Maria com Jesus nos braços, após ser retirado da cruz.
Representa o desejo de que a alma seja bem recebida.


                                     Pietá na vertical. A decida do corpo da cruz.


O Tempo também contribuiu para a arte.

Detalhes



Túmulo: monumento fúnebre erguido em memória de alguém no lugar onde se acha sepultado.Sepultura, Campa, Carneiro, Catacumba, Cova, Jazigo, Sepulcro, Tumba, Túmulo: local onde se sepultam os cadáveres.Catacumbas: galerias subterrâneas em cujas paredes se faziam tumbas.
Tumba: pedra sepulcral, caixão ou esquife.
Nicho: Cavidade ou vão na parede ou muro para colocar estátua, imagem ou qualquer objeto ornamental.
Capela: Pequena igreja de um só altar.


Necrópole: como eram chamadas as partes das cidades antigas destinadas para o sepultamento dos mortos.
Sinônimo de cemitério.

A cidade …

…dos mortos



Alegoria contendo o mapa de Porto Alegre.



Alegoria com Santo Sudário


Jesus

Vem mais por aí…Aguardem.

Consultas:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_tumular

2 comentários:

  1. tire algumas fotografias se possivel, da sepultura do heroi; placido de castro.brigado (o povo do acre agradece).

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  2. Certinho Leandro lima... Asim que passar por lá novamente coloco novas fotos...
    Abraços a todos...

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