20 de mar de 2012

A DECADÊNCIA E QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE


O que levou o Império Romano a ruir foi o conjunto de crises por qual Roma passou nos primeiros séculos depois de Cristo. A partir do século III O Império Romano é o mais popular entre os impérios conquistou dimensões territoriais imensas:

 • começou na Europa Central,
• foi para a Europa Oriental,
• chegou à Ásia e,
• dominou também todo o norte da África.

 Essa imensidão territorial, esse enorme domínio imperial colocava o cidadão romano como:
 • o “Sr. do Mundo”
•o “Sr. do Universo”





Mas um conjunto de crises abateu-se sobre Roma. Essas crises resultaram na destruição do poderoso Império.



1° MOTIVO  -  CRISE ECONÔMICA

 O ESCRAVO ERA A PRINCIPAL FORÇA DE TRABALHO EM ROMA.

COMO SE OBTÊM ESCRAVOS?
·    Por meio das guerras de conquistas - os povos conquistados eram escravizados.
·    Por meio do tráfico de escravos - como ocorreu no Brasil, no período em que a escravidão era legalizada


No Império Romano: a escravidão se reproduzia com as conquistas territoriais, o Império:
·           os soldados marchava com suas legiões por territórios alheios, guerreava e dominava as terras, os povos conquistados eram colocados na condição de escravidão.

POR ISSO:
·            o exército precisava ser cada vez maior, pois era necessário deixar parte dos soldados nas terras conquistadas.

SÓ QUE - O IMPÉRIO ROMANO PARALISOU AS GUERRAS DE CONQUISTA

O Sistema Escravagista foi sendo destruído na sua base
·            desencadeada pelo encarecimento da mão-de-obra escrava.
·            o escravo era a principal força de trabalho em Roma.

ASSIM OS ESCRAVOS
·            tornaram-se escassos e caros.
·      com o escravo caro: - os proprietários de terras têm dificuldade para produzir.

Os grandes proprietários não sofrem muito, mas os pequenos e médios proprietários quebram, encontrando poucas saídas:
* ou eles vendem a propriedade para os grandes proprietários
* ou eles abandonam a propriedade e vão embora para a urbe (=cidade) -
* ou eles resistem até que os grandes proprietários tomem NA MARRA a sua propriedade.

PEQUENOS E MÉDIOS PROPRIETÁRIOS DE TERRAS DESAPARECEM DANDO LUGAR AOS LATIFÚNDIOS (grande propriedade de terra).
 A ECONOMIA DE ROMA, ANTES CARACTERIZADA PELAS CONQUISTAS, PASSA A SER REGIDA PELAS GRANDES PROPRIEDADES: O LATIFÚNDIO

O pequeno e o médio proprietário passam a viver na cidade: em Roma. O Estado Romano, até então, mantinha uma série de benefícios para os cidadãos romanos e os pequenos e médios proprietários, começam a requerer tais benefícios, assim:
·            aumenta muito o número de pessoas que vivem dos benefícios sem trabalhar.
·            a estrutura do Estado Romano não agüenta e  começa a ruir.
·            surgem os problemas: - Violência – Estupros – Doenças.

Aqueles que fugiram do campo tentam retornar ao campo. Mas não encontram mais terras, pois as terras estão nas mãos dos latifundiários

QUEM SÃO OS LATIFUNDIÁRIOS (grandes proprietários de terra)ROMANOS?

·            são os senadores
·            a aristocracia senatorial
·            aqueles que já controlavam as grandes porções de terras

SURGE ENTÃO UM NOVO REGIME DE TRABALHO: O COLONATO

 Colonato é quando uma pessoa arrenda a terra, ou seja, pega uma fração de terra e trabalha nela.
Parte da produção tem que ser entregue para o proprietário da terra em que ele produziu, algo entre 80 e 90% da produção vai toda para o latifundiário.  O colono, que é quem produziu, fica só com um pouquinho.

  Ele torna-se SERVO do latifundiário.



2ª MOTIVO - CRISES NATURAIS E FALTA DE MODERNIZAÇÃO TECNOLÓGICA



No final do século III e da segunda metade do século IV em diante Roma é acometida por um conjunto de crises naturais:
·            invernos muito rigorosos
·            pragas
·            técnicas rudimentares de produção
Essas crises levam a destruição de colheitas, acarretando:
·            a escassez de alimento
·            mais fome
·            mais doença
·            mais violência



3° MOTIVO  -  CRISE SOCIAL: REPÚBLICA = COISA DO POVO
E O SURGIMENTO DO CRISTIANISMO.

A república romana foi-se elitizando cada vez mais, acarretando em diversas revoltas.
·            ocorrências de revoltas de escravos: como a Revolta de Spartacus (Espártaco)
·            ocorrências de revoltas dos campesinos: como a Revolta do Monte Aventino:

A GRANDE IMPLOSÃO DESSA ESTRUTURA
SOCIAL DEU-SE COM O SURGIMENTO DO CRISTIANISMO

A idéia cristã era incompatível com a idéia de escravidão, os romanos perseguiram os cristãos
·            os cristãos eram jogados aos leões nos circos
·            os romanos se divertiam torturando os cristãos
Mas a fé cristã impressionava os romanos
·            aparentemente os cristãos morriam felizes
·            os romanos se espantavam com o comportamento dos cristãos
·            os romanos economicamente menos favorecidos foram, aos poucos, se convertendo ao cristianismo


·            com o tempo, a aristocracia, seguindo o exemplo da plebe, foi convertendo-se ao cristianismo
SÓ QUE os aristocratas não podiam ser colocados na arena, para serem devorados por leões, como era comum fazer com os cristãos.
PORTANTO, há uma mudança de comportamento entre o Império e os cristãos, o que faz com que o cristianismo se instale no Império, mudando a estrutura da sociedade romana. Em 380 o Cristianismo torna-se a religião oficial do Império Romano – através do Imperador Teodósio I.



4º MOTIVO  -  CRISE POLÍTICA E INVASÕES DOS POVOS BÁRBAROS

Inicia-se uma disputa pelo poder:
SENADO X GUARDA PRETORIANA -Militares
As duas instituições começam a enfraquecer e se destruir.

ENTÃO O IMPÉRIO ROMANO COMEÇA A SE FRAGMENTAR

Em 293 - o imperador DIOCLECIANO: determina a TETRARQUIA
·            dividindo o poder em quatro

Em 324 -o imperador CONSTANTINO: Levou a capital de Roma para Constantinopla, para preservar a capital do domínio dos povos bárbaros empenhados em invadir o Império

Em 395, o imperador TEODÓSIO: divide o Império Romano em dois:
·            Império Romano do Ocidente - capital Roma.
·            Império Romano do Oriente - capital Constantinopla.



O Império Romano do Ocidente cai em domínio dos povos bárbaros germânicos que vinham pressionados pelos povos hunos, e começaram a invadir as fronteiras naturais do Império Romano:

DE UM LADO:
·            a legião de romanos segue em direção das fronteiras romanas para barrar os bárbaros germânicos

NO MEIO:
·            os bárbaros germânicos estavam prontos para invadir as terras do Império

DO OUTRO LADO:
·            encontravam-se os hunos que, liderados por Átila, invadiam as terras dos germânicos, pressionando-os em direção das fronteiras romanas




ÁTILA REI DOS HUNOS
Era conhecido como o flagelo de Deus. Era tão boa gente que o povo acreditava que, onde o seu cavalo pisasse nunca mais nascia grama. Com os romanos de um lado e os hunos do outro lado, os germânicos optaram por invadir o Império Romano:
·            Invadiram e destruíram o Império Romano




7 de mar de 2012

A Peste Negra


PESTE NEGRA      a  PESTE BUBÔNICA



A Peste Bubônica, que foi apelidada pelo povo de Peste Negra ficou conhecida na história como uma doença responsável por uma das mais trágicas epidemias que assolaram o mundo Ocidental. Chegando pela Península Itálica, em 1348, essa doença afligiu tanto o corpo, quanto o imaginário de populações inteiras que sentiam a mudança dos tempos por meio de uma manifestação física. Assim como a Aids, a peste negra foi considerada por muitos um castigo divino contra os hábitos pecaminosos da sociedade. A doença mortal não escolhia vítimas: reis, príncipes, senhores feudais, artesãos, servos, padres entre outros foram pegos pela peste.

Conforme alguns pesquisadores, a peste negra é originária das estepes da Mongólia, onde pulgas hospedeiras da bactéria infectaram diversos redores que entraram em contato com zonas de habitação humana. Na Ásia, os animais de transporte e as peças de roupa dos comerciantes serviam de abrigo para as pulgas infectadas. Nos veículos marítimos, os ratos eram os principais disseminadores dessa poderosa doença. O intercâmbio comercial entre o Ocidente e o Oriente, reavivado a partir do século XII, explica a chegada da doença na Europa.

O contato humano com a doença desenvolve-se principalmente pela mordida de ratos e pulgas, ou pela transmissão aérea. Em sua variação bubônica, a bactéria cai na corrente sangüínea, ataca o sistema linfático provocando a morte de diversas células, e cria dolorosos inchaços entre as axilas e a virilha. Com o passar do tempo, esses inchaços, conhecidos como bubões, (bolhas) de pus e sangue. Em seguida, vinham os vômitos e febre alta. Era questão de dias para os doentes morrerem, pois não havia cura para a doença e a medicina era pouco desenvolvida. Sem muitas opções de tratamento, os doentes se apegavam às orações e rituais que os salvassem da peste negra. Vale lembrar que, para piorar a situação, a Igreja Católica opunha-se ao desenvolvimento científico e farmacológico. Os poucos que tentavam desenvolver remédios eram perseguidos e condenados à morte, acusados de bruxaria.

Essa doença também pode atingir o homem pelas vias aéreas atacando diretamente o sistema respiratório. Essa segunda versão da doença, conhecida como peste pneumônica, tem um efeito ainda mais devastador e encurta a vida do doente em um ou dois dias. Em outros casos, a peste negra também pode atingir o sistema sangüíneo. Os que sobreviviam à doença tinham que, posteriormente, enfrentar a falta de alimentos e a crise sócio-econômica instalada no local. Por isso, muitas cidades tentavam se precaver da epidemia criando locais de quarentena para os infectados, impedindo a chegada de transeuntes e dificultando o acesso aos perímetros urbanos.

Desconhecendo as origens biológicas da doença, muitos culpavam os grupos sociais marginalizados da Baixa Idade Média por terem trazido a doença à Europa. Alguns registros da época acusavam os judeus, os leprosos e os estrangeiros de terem disseminado os horrores causados pela peste negra. No entanto, as condições de vida e a falta de higiene nos ambientes urbanos do século XIV são apontadas como as principais propulsoras da epidemia. Na época, as cidades medievais agrupavam desordenadamente uma grande quantidade de pessoas. O lixo e o esgoto corriam a céu aberto, atraindo insetos e roedores portadores da peste. Os hábitos de higiene pessoal ofereciam grande risco, pois os banhos não faziam parte da rotina das pessoas. Além disso, os aglomerados urbanos contribuíram enormemente para a rápida proliferação da peste. Ao chegar a uma cidade, a doença se instalava durante um período entre quatro e cinco meses.

Relatos da época mostram que a doença foi tão grave e fez tantas vítimas que faltavam caixões e espaços nos cemitérios para enterrar os mortos. Os mais pobres eram enterrados em valas comuns, apenas enrolados em panos. O preconceito com a doença era tão grande que os doentes eram, muitas vezes, abandonados, pela própria família, nas florestas ou em locais afastados. A doença foi sendo controlada no final do século XIV, com a adoção de medidas higiênicas nas cidades medievais.



A PESTE NEGRA

EUROPA- (1347-1351)


75.000.000 de mortos
'Quantos homens valentes, quantas senhoras virtuosas não tomaram o café da manhã com seus familiares e a ceia com seus ancestrais na outra vida. As condições das pessoas eram deploráveis de se ver. Elas adoeciam aos milhares diariamente, e morriam abandonadas e sem assistência. Muitos morriam pelas ruas, outros morriam em suas casas - fato que era percebido apenas pelo cheiro desagradável de seus corpos apodrecendo. Os campos santos das igrejas eram insuficientes para o enterro da imensa quantidade de corpos, que eram amontoados às centenas em enormes valas, como mercadorias no compartimento de um navio, e cobertas com uma fina camada de terra'.
         Giovanni Boccaccio



FEUDO NA IDADE MÉDIA


Como era um feudo na Idade Média?
As grandes propriedades rurais da época medieval eram divididas em três categorias de terras. A primeira - que englobava a maior parte do solo cultivável - era o chamado manso senhorial, onde tudo o que se produzia pertencia ao senhor feudal, o dono da fazenda. Os servos trabalhavam em todas as terras, mas só podiam tirar seu sustento dos minúsculos lotes que formavam a segunda categoria de terras, o manso servil. Por fim, os bosques, florestas e pântanos eram coletivos - manso comunal ou quase isso: os animais maiores só podiam ser caçados pelos senhores. Apesar de costumarmos chamar esse tipo de propriedade de feudo, os especialistas alertam que esse não é o termo mais correto. "A palavra ‘feudo’, utilizada pela primeira vez no século IX, designava qualquer bem dado em troca de alguma outra coisa", diz a historiadora Yone de Carvalho, da PUC de São Paulo. Portanto, na Idade Média, feudos eram todos os bens e tributos trocados entre nobres - incluindo aí as propriedades, que eram mais conhecidas como senhorios. Esse sistema de trocas regulava todas as relações entre os nobres medievais. Por exemplo, um nobre ganhava o título de senhor (suserano) quando dava um pedaço das suas terras a outro nobre, chamado de vassalo. Esse vassalo, por sua vez, podia cobrar uma espécie de aluguel sobre seu moinho, tornando-se senhor também. Em resumo, o dono de um "feudo" - senhorio ou senhor feudal- obedecia a seu senhor, mas também tinha seus vassalos.

Fazendão medieval - Nobres viviam em castelo, enquanto os servos se espremiam numa vila para até 60 famílias

DEUS É FIEL
Embora a casa senhorial geralmente tivesse sua própria capela, uma pequena igreja era construída nas imediações da vila. Uma parte das plantações, conhecida como "acre de Deus", era doada à Igreja pelo senhor feudal. Os servos dedicavam parte do seu tempo cultivando essas terras, além de repassar um décimo dos seus ganhos à paróquia. (dizimo)

COZINHA EXTERNA
Geralmente, o forno era construído fora do castelo, para evitar incêndios. Era uma instalação grande, de pedra e tijolos, onde enormes espetos de ferro permitiam assar até mesmo um boi inteiro. Ao seu lado podiam existir prensas para produzir vinho, azeite ou farinha. Os servos pagavam uma taxa para usar essas instalações. (banalidades)

CARROSSEL AGRÍCOLA
As plantações seguiam um sistema de rotação. Os campos aráveis eram divididos em três partes, mas, para não esgotar o solo, apenas duas eram cultivadas ao mesmo tempo. Depois da colheita, outra parte repousava e, assim, mantinha-se o cultivo ao longo do ano inteiro. Os servos passavam mais de metade da semana trabalhando nas terras do senhor ou da Igreja. No resto do tempo, eles cultivavam seus próprios lotes.

FLORESTA ENCANTADA
Além de fornecer madeira para lenha e construções, o bosque era usado para caçadas. A princípio, essa era uma área comum, embora os animais maiores só pudessem ser abatidos pelo senhor feudal. Aos servos restavam os coelhos e esquilos. A colheita de frutas silvestres, castanhas e mel era livre, mas muitos evitavam entrar nos bosques, temendo o ataque de bruxas e figuras maléficas.

VIDA EM SOCIEDADE
Localizada perto das lavouras e de uma fonte de água (rio ou lago), a vila reunia de 10 a 60 famílias. Os casebres tinham apenas um cômodo, sem chaminé ou janelas. As paredes eram feitas de barro reforçado com palha e a cobertura, de sapê. Nos arredores, pequenas hortas forneciam frutas e legumes. A fauna contava com galinhas, além de gatos e cães sem dono. Muitas vezes os animais passavam a noite dentro da casa de seus donos.
LAR, RICO LAR
Na forma de um castelo ou simplesmente de um casarão de pedra, a residência senhorial abrigava o senhor feudal, sua família, seus empregados e encarregados da administração da propriedade. Em épocas de conflito, também servia de quartel para suas tropas. Os senhores mais abonados tinham várias casas espalhadas ao longo das suas terras — alguns chegavam a ter centenas delas.

REI DO GADO
Tão importantes quanto as terras aráveis eram as campinas, onde pastavam os rebanhos de gado e ovelhas, além dos animais de carga e arado. Essas áreas podiam ser de uso comum, mas os cavalos e rebanhos do senhor feudal eram tratados pelos servos. Como não se produzia feno, muitos rebanhos eram dizimados durante os inversos mais rigorosos.

por Roberto Navarro





5 de mar de 2012

CASTELO MEDIEVAL


Como era a vida em um castelo medieval?

Apesar de toda a imponência dessas construções, o cotidiano não era muito agradável, não. "Além de não contar com conveniências como água corrente ou aquecimento central, o dia-a-dia dos moradores era barulhento e desconfortável", diz a historiadora britânica Lise Hull, autora do livro Scotland and the Castles of Glamorgan ("A Escócia e os Castelos de Glamorgan"). Os primeiros castelos surgiram na Europa Ocidental ainda no século IX, construídos com terra, madeira e camadas de pedras para reforçar a estrutura contra ataques. O modelo mais conhecido, o das fortificações protegidas por muralhas e cercadas por fossos alagados, apareceu na França, no século X. A arquitetura dos castelos era única: não havia dois iguais, mas a maioria deles partilhava características comuns, como a existência de um salão, de aposentos exclusivos para o senhor do castelo, de uma capela e de uma torre para os guardas.
Para a maioria dos moradores, um dia típico começava ao nascer do Sol. Algumas camareiras dormiam no chão do quarto do senhor e de sua dama, cuja privacidade era garantida apenas por uma armação de tecidos em volta da cama. Depois de se vestirem, o senhor e sua família iam ao salão para tomar um café da manhã regado a pão e queijo, e logo seguiam para a missa diária na capela. O almoço, servido entre as 10 da manhã e o meio-dia, incluía três ou quatro pratos principais e podia ser acompanhado por apresentações de malabaristas. Durante o dia, enquanto o senhor cuidava da administração, da justiça e da coleta de impostos do feudo, sua esposa tratava da educação dos filhos e supervisionava camareiras e cozinheiras. À noite, apenas uma leve refeição - em geral, uma sopa. Alimentados, os senhores voltavam ao quarto, enquanto os servos se espalhavam pelo chão do salão ou em câmaras no interior da torre.

Bagunça feudal - Fortificações de pedra eram escuras, barulhentas e tinham pouca higiene

1. ALMOÇO ANIMADO
Geralmente situado no andar superior, o salão era um ambiente escuro, enfumaçado e úmido, com pequenas janelas sem vidro. Durante o dia, o local virava sala de refeições, ocasionalmente acompanhadas por espetáculos de artistas ou trovadores a que os servos também podiam assistir. À noite, o lugar se transformava em dormitório dos criados
2. COZINHA RÚSTICA
A cozinha era afastada dos cômodos principais para evitar incêndios. No forno central de fogo aberto, a comida era cozida em caldeirões e as carnes assadas em espetos de ferro. Do lado de fora, ficavam gaiolas com aves e outros animais para o abate. O cardápio do senhores era farto em pão de boa qualidade, carne e bebidas alcoólicas, especialmente vinho e cerveja
3. ESTOQUE CHEIO
Em alguns castelos, um cômodo construído no andar térreo servia de armazém de provisões, como trigo (usado para fazer pão) e malte (cerveja). O estoque de alimentos incluía ainda carnes conservadas por salgamento, queijos e sacas de vagens, feijões, favas e grãos moídos, como farinha
4. REZA DIÁRIA
Localizada perto do salão principal, a capela podia ser dividida em dois andares: no piso superior ficava a família do senhor do castelo, enquanto os servos rezavam na parte de baixo. Às vezes, capelas menores eram construídas num subterrâneo do castelo. As missas aconteciam todas as manhãs
5. SONO REAL
O principal móvel do quarto do senhor e sua dama era uma grande cama de madeira, com um trançado de tiras de couro que sustentava o colchão de penas. As roupas eram guardadas em arcas ou penduradas em pinos na parede. No início do dia, o quarto era varrido pelas camareiras, enquanto os senhores lavavam o rosto em bacias com água
6. LÍQUIDO PRECIOSO
Era indispensável que o castelo ficasse perto de uma fonte subterrânea de água para garantir o abastecimento de toda a construção. Além do poço central, localizado no interior das muralhas, reservatórios recolhiam a água da chuva que caía no teto do castelo. Depois, o líquido seguia para os andares inferiores por encanamentos de chumbo
7. PRIVILÉGIO NOJENTO
Como os dois únicos banhos anuais aconteciam em tinas portáteis levadas para o quarto do senhor, o banheiro tinha só uma privada, exclusiva dos nobres - os outros precisavam se aliviar fora das muralhas ou em penicos. Mas o "troninho" não era nada higiênico: os dejetos seguiam em uma canaleta de pedra até a parede do castelo, de onde a sujeira escorria até um fosso
8. VISÃO SEGURA
A maioria das fortificações contava com uma torre, feita inicialmente de madeira e mais tarde de pedra, com vários andares e formato retangular. O local, que servia como posto para os sentinelas que vigiavam as vizinhanças era também usado como alojamento para servos e soldados, além de ser o último refúgio no caso de o castelo ser invadido

por Roberto Navarro

SISTEMA FEUDAL


Conceito: foi um tipo de organização política, social e econômica que caracterizou parte da Europa durante a Idade Média.
Antecedentes
As invasões bárbaras e a queda do Império Romano do Ocidente, fez com que muitos romanos abandonassem as cidades e fossem morar em propriedades no campo.
-Estas propriedades, denominadas vilas, deram origem aos feudos medievais.
-Muitos camponeses buscavam proteção e trabalho nestes locais. Os senhores da terra, em troca, pediam parte da produção agrícola. Esta relação de trabalho ficou conhecida como colonato.
-Com o tempo, o poder foi ficando concentrado nas mãos dos senhores de terra (senhores feudais), que administravam suas vilas da forma que achavam melhor. A agricultura era praticamente a única atividade econômica.
-Podemos dizer que o feudalismo foi um sistema criado a partir da fusão dos costumes dos povos romanos e germânicos.
O Feudo
Era a unidade de produção do feudalismo e estava sob o domínio de um senhor feudal.
-Geralmente, o feudo era dividido em manso senhorial, de uso exclusivo do senhor feudal, manso servil era a parte arrendada aos servos e o manso comunal terras comuns a todos, como bosques, pastos e prados..
Suserania e Vassalagem
O sistema feudal funcionava através da concessão de terras entre nobres, que entre os bárbaros germânicos era chamado de comitatus .
-Um senhor de terra, chamado suserano, concedia a terra a outro, chamado vassalo . Ao receber a terra, o vassalo jurava fidelidade ao suserano.
-Suseranos e vassalos estavam ligados por obrigações, pois os vassalos deviam serviço militar ao suserano. E o suserano oferecia proteção militar ao vassalo.
-Neste sistema, um grande proprietário de terras podia ter vários vassalos. Abaixo dos vassalos estavam os camponeses, que recebiam terra e proteção, ofereciam, em troca, seu trabalho.
-A cerimônia de entrega das terras do suserano para o vassalo era chamada de homenagem.
Sociedade Feudal
Era composta de três grupos principais: o clero (oratore – os que rezam), a nobreza (belatore os que guerreiam) e os camponeses (laboratore os que trabalham).
-Assim, cabia ao clero assegurar a salvação; cabia à nobreza lutar para defender a população; e cabia ao camponês trabalhar para o sustento de todos
-A posição social não dependia totalmente do nascimento. A Igreja possibilitava alguma forma de ascensão e mobilidade, ainda que pequena.
-A Igreja Católica detinha 2/3 das terras medievais, sendo considerada a grande proprietária de terras. Exerceu grande poder política e social.
-A nobreza era composta pelos senhores feudais. A hierarquia tinha o rei no topo. Em seguida, vinham os senhores com títulos, como duques, condes, viscondes, entre outros. Depois vinham os barões e, por fim, os cavaleiros.
Os camponeses eram chamados de servos e estavam ligados à terra. Para viver no feudo, ofereciam sua força de trabalho aos senhores.
-Havia um grupo de camponeses, chamados vilões, que não estavam presos à terra. Descendentes dos pequenos proprietários de terra romanos, os vilões entregavam suas terras aos senhores feudais, em troca de proteção.
O servo tinha uma série de obrigações com os senhores e a Igreja. Entre as principais, podemos destacar:
*Corvéia: consistia em trabalhar alguns dias por semana na terra do senhor feudal.
*Talha: consistia em entregar parte da produção para o senhor feudal.
*Banalidade: consistia em pagar uma taxa para usar equipamentos do feudo.
*Mão Morta: consistia em pagar uma taxa em caso de falecimento do pai de família.